
A Banda, nos primórdios: o primeiro registro fotográfico.
Os dois estranhos instrumentos que aparecem no primeiro registro fotográfico da Banda são chamados de “ophicleides” (oficleides).

O ophicleide, cuja pronúncia pode ser “oficlêide” ou “oficláid“, também é conhecido em alguns lugares do mundo pelo nome de “figle“.
Foi inventado pelo fabricante parisiense Jean-Hilaire Asté, no ano de 1817. Seu uso foi muito difundido ao longo do século XIX. Registre-se: foi um período de grande efervescência no que se refere à invenção de novos instrumentos musicais.
O ophicleide foi o antecessor da tuba. Na verdade, esse instrumento foi gradativamente substituído pela tuba, que era dotada maior estabilidade em termos de afinação.
No cenário musical brasileiro, foi muito utilizado no gênero musical choro, com destaque para o período inicial do século XX. Nesse contexto, o nome mais representativo foi o de Irineu Batina – professor de Pixinguinha.
Pela classificação Hornbostel-Sachs, o ophicleide é um aerofone. Trata-se, logicamente, de um instrumento de sopro, do naipe dos metais, provido de 8 a 11 chaves, semelhantes àquelas utilizadas nos saxofones. Apesar da aparência, o ophicleide não é um instrumento tocado com palhetas… e sim, de bocal.
Algumas fontes históricas afirmam que o belga Adolphe Sax adaptou uma boquilha de clarinete em um ophicleide e, a partir da referência sonora encontrada (algo entre o naipe das madeiras e dos metais), fez as devidas adaptações na forma do instrumento e concebeu o saxofone, no ano de 1840.
“CHAVES”… EM INSTRUMENTOS DE BOCAL???
Sim.. esclarecendo que esse instrumento foi concebido antes da invenção do atual sistema de válvulas, tão difundido na atualidade para o naipe dos metais.
A família dos ophicleides possui uma variedade considerável de tamanhos: contralto (Eb/F), baixo (C/Bb) e contrabaixo (Eb). Este último, um instrumento raríssimo, recebeu – com justiça – o apelido de “Monstro“.


Acima e à esquerda, a família do ophicleide. À direita, o “Monstro”.
Da família dos ophicleides, o tamanho mais comum é o baixo (que está retratado na foto da Banda – afinaçao em dó, conforme nota fiscal da Casa A Minerva – 26/09/1889). Esse instrumento tem uma extensão/alcance que corresponde, aproximadamente ao do fagote.



Detalhe do sistema de chaves de um ophicleide.

Quarteto: 3 serpentes e 1 ophicleide
Assista ao vídeo abaixo para ouvir o som do ophicleide:
A palavra “ophicleide” provém do grego “ophis“, que significa algo como “em forma de serpente”; e “kleides“, cuja tradução literal é “chaves“. Portanto, em uma tradução livre, o nome pode ser entendido como “serpente com chaves“.
Por que “serpente“?
Esclarecendo: – o ophicleide foi desenvolvido como um aperfeiçoamento, uma evolução da “serpente” (que é um antepassado distante da tuba que conhecemos hoje).
O uso da serpente se deu entre 1600 e 1850 (ou seja, chegando na transição do Renascimento para o Barroco, atravessando este último e também o Clássico por inteiro; e – por fim – chegando aos anos iniciais do Romântico). Esse instrumento, de forma bastante curiosa, possui um timbre bastante suave e é extremamente difícil de tocar.
Abaixo, algumas imagens da serpente, que pode ser tanto de madeira quanto de metal:

A serpente, antepassado da tuba, em 4 tamanhos distintos.



Clique nas imagens acima para ampliar.
Assista ao vídeo abaixo para ouvir o som desse curioso instrumento:
Voltando ao ophicleide, para finalizar…
Nos arquivos históricos da Banda, existe um brevíssimo método para ophicleide, redigido pelas mãos do próprio Padre Angelo Sabbatini, em idioma Italiano. Clique abaixo para ampliar.


